Fase vermelha no estado de SP começa à meia-noite de sábado (6)

Doria endurece medidas para tentar evitar colapso na rede de saúde; escolas seguem abertas

O governo de São Paulo irá iniciar o retrocesso à fase vermelha em todo o estado a partir da meia-noite do próximo sábado (6). A medida deverá durar duas semanas, a depender da evolução da curva de infecções, óbitos e internações devido ao novo coronavírus.

A medida, conforme a Folha adiantou na terça (2), não incluirá o fechamento total de escolas. A regra adotada em dezembro pelo governo, de permitir aulas presenciais opcionais nas duas fases mais restritivas do Plano SP de abertura econômica, vermelha e laranja, segue valendo.

O governo irá detalhar algumas nuances nessa decisão, já que serão priorizados grupos de alunos mais vulneráveis na rede pública, como aqueles que dependem de alimentação nas escolas.

Com isso, saiu chamuscado da mais recente discussão o secretário Jean Gorinchteyn (Saúde), que na terça havia defendido fechar escolas. Ele foi obrigado pelo governador João Doria (PSDB) a divulgar uma nota reafirmando que o que dissera à rádio CBN era apenas sua opinião pessoal.

Na fase vermelha, apenas os serviços essenciais estão permitidos. De forma controversa, nesta semana Doria permitiu que templos religiosos fossem incluídos na categoria, desde que respeitadas regras de distanciamento social.

O motivo para o endurecimento por parte do governo estadual é a crise da Covid-19, que atinge hoje todo o país de forma quase uniforme. São Paulo prevê um colapso na oferta de leitos de UTI para a doença nas próximas duas semanas, se não houver a restrição.

Segundo Doria, nas últimas 24 horas, a central de regulação de leitos recebeu 901 pedidos de internação de leitos de UTI e enfermaria. “São Paulo está internado um paciente a cada dois minutos”, lamentou.

Hoje, 74,3% das vagas no estado estão ocupadas, índice que sobe a 75,5% na capital. Já o isolamento social, monitorado pela movimentação de pessoas com telefones celulares rastreáveis, está em meros 39% —ao menos 60% ou 70% são necessários.

Já morreram 60.381 pessoas até esta manhã de quarta (3) no estado, entre 2.068.616 casos confirmados desde o começo da pandemia, há um ano. Para Doria, as próximas duas semanas serão as mais duras da pandemia.

Até aqui, 76% dos paulistas estavam sob o regime laranja, 15%, sob a vermelha e os restantes, sob a mais liberal amarela.

Em reunião virtual com quase todos os 645 prefeitos paulistas na terça, Doria recebeu pedidos para um endurecimento ainda maior. Cidades como Araraquara já experimentaram lockdowns, a medida mais extrema e que não é prevista no Plano SP, que prevê restrição de circulação de pessoas nas ruas.

A ação foi sugerida por membros do Centro de Contingência da Covid-19, comitê de 20 especialistas e autoridades que aconselham o governo na crise. Ao fim, após discussões com membros do governo, prevaleceu a ideia de que a fase vermelha, se implementada de forma rígida, poderia ter o efeito necessário.

Nem todos concordam com isso. O Conselho Nacional de Secretários de Saúde sugeriu o lockdown para cidades em estágio crítico, mas Gorinchteyn não subscreveu a proposta.

Nas áreas política e econômica do governo paulista, há dúvidas acerca da exequibilidade de uma medida tão radical, ao mentos em nível estadual ou na capital, que tem grande capilaridade com cidades da Grande São Paulo.

Na semana passada, já havia a pressão de membros do comitê por maior rigor. Ao fim, Doria anunciou algo chamado toque de restrição, que na prática significou mais repressão a aglomerações das 23h às 5h, mas não um impedimento à circulação de pessoas.

A fase vermelha em todo o estado deverá ser uma nova trincheira de disputa entre Doria e o governo Jair Bolsonaro acerca do manejo da pandemia —depois da rodada sobre vacinação, na prática vencida pelo tucano paulista, que promoveu o imunizante Coronavac.

O presidente tem feito críticas sistemáticas aos “governadores que querem fechar os estados”, culpando-os pela crise econômica decorrente da emergência sanitária.

Isso tem contrariado chefes estaduais, que têm organizado um levante contra o desgoverno do Ministério da Saúde na pandemia.

AS REGRAS DA FASE VERMELHA

São permitidos 
Serviços essenciais como: hospitais, farmácias, centros de saúde, padarias (não para consumo local), petshops, clínicas veterinárias, igrejas e templos religiosos, correios
Ficam proibidos 
Shoppings, comércio de rua, galerias
Consumo local em bares e restaurantes
Salões de beleza e barbearia
Eventos, convenções e atividades culturais
Academias
Demais atividades que gerem aglomerações
Funcionamento parcial 
Lojas de conveniência: venda de bebidas alcoólicas após 6h e até 20h
Funcionamento facultativo 
Escolas com aulas presenciais

Fonte: Folha de S.Paulo

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